MEMÓRIAS DA CASA VELHA DO VAPOR
Autor: João Maria Ludugero.
Lá do outro lado de lá do rio Joca,
Lá no alto aonde a vista podia alcançar
Estava a casa velha, a velha casa do Vapor
E no seu jardim havia um pé de pau do mais lindo flamboyant
que dava flores alaranjadas na primavera.
Havia ali muitos vasos de gerânios nas janelas,
Algumas espreguiçadeiras de panos de tear coloridos,
Além de redes do mais fino algodão
espalhadas por todo o vasto alpendre.
E no meio da plantação de sisal, de agave
podíamos apreciar belos pavões a cortejar suas fêmeas
ou um bando de gansos e patos a matar a sede
Nos vertentes veios d'água que circundavam a velha casa.
Era água da irrigação que vinha lá do açude do Vapor.
Não muito longe dali, do outro lado do curral,
A casa de farinha, de onde provinha o cheiro
de beiju da última fornalha.
E quase sempre havia um magote de menibos
e meninas a sonhar com seus puxa-puxas,
Com seus confeitos de açúcar mascavo
e limão para dar o ponto, feitos na hora
no pé do forno, no fogo de chão entre a lenha e o tição.
E no centro de tudo, havia a cantiga alegre
das rapadeiras de mandioca, destemidas mulheres
Com seus lenços amarrados na cabeça,
e o suor a escorrer pelo rosto, mas contentes da vida.
E no tempo, ficava o vento a exalar seus cheiros e manipueiras.
Não dá pra esquecer, eu bem me lembro,
Que no oitão da casa velha havia as trepadeiras
a florescer brincos de princesa aos montes.
Na cumeeira, magotes de andorinhas que sempre voltavam,
Espreitadas pelo gato dourado da dona Lourdes.
No fogão a lenha, a borbulhante chaleira de ferro
Que sob as labaredas das toras se deixava ferver
E o cheiro de café tomava conta de léguas e léguas dali
Cheiros e ruídos a divagar pelos desvãos da tarde amena.
No alguidar, a goma fresca, o polvilho e o coco ralado.
Tudo pronto para a tapioca e os beijus da ceia.
E em nossa face a vontade de não sair mais d'acolá
Dali mesmo da terra da simplicidade, nossa Várzea amada.
E agora só nos resta os restos teimosos de uma saudade,
Uma vez que derrubaram a casa velha e suas paredes.
E ali nas ruínas o sol sempre volta a aquecer
A fazer respirar suas lagartixas.
Lá dentro do peito, percorre um vazio, persistente,
ou um ranger de portas empenadas pela ferrugem.
Nada de talheres a tilintar na mesa, só o silêncio.
Só o abafar de suspiros de outros tempos,
ou os gritos amordaçados que não tiveram ecos.
Mas ainda se ouve o canto mavioso
do pintassilgo nas algarobeiras.
E tão só o piar do galo de campina,
E nada de correrias de crianças,
nem mesmo a toada das mulheres
a descascar mandiocas na casa de farinha.
Só resta agora a saudade a nos bater, a nos apanhar,
a nos acompanhar vida a fora, pra sempre.
Ali existiu a casa do Vapor do seu Zuquinha.
Dentro das nossas memórias varzeanas
uma casa ainda habitada
a alimentar as ruínas de um tempo bom
que o vento não leva jamais.
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