SOLTANDO OS BICHOS
Autor: João Maria Ludugero.
Estou no paredão
Não tenho medo algum, da vida
Não tenho receio de perder o chão
Não é movediço o meu lugar
Minha Várzea é movida de Amor à vida.
Ela me fez eterno-aprendiz do Calango
Estou no paredão do açude
Com o vento no rosto
e as mãos despidas,
detenho-me e escuto
um murmúrio de vozes antigas.
Aos meus pés tombam palavras
nunca fatigadas de saberem tantas águas.
Cai a tarde amena, ao passo que o vento beija o açude.
É quando as aves saem da paisagem, sem pressa.
Nesse instante, um manto verde-musgo cobre o espelho d'água
e uma janela no meio do peito se abre sobre o tempo
que somos, porque somos o que somos, filhos de Várzea,
sem negar a raça, com graça e real beleza.
O corpo esse nos sobra e se mostra todo
a esbanjar de natural orgulho
que somos nascidos da mesma laia,
persistentes guardadores
de sonhos acordados, possíveis
Desbravadores da sonhada felicidade, de fato
Senhores das marcas de água ou do nosso rastro,
Ainda deixamos pelo caminho sementes prontas,
Capazes de germinar esperanças adormecidas,
Afinal moramos aqui na terra de Ângelo Bezerra!
Somos varzeanos e não temos tempo
Para cultivar tristeza.
Eu lhes digo e asseguro,
Estou no paredão do açude,
Eu bem me equilibro, bicho solto,
Com a devida coragem e sensatez,
Sou rico, sim senhor,
Sou dono do meu nariz!
Pobre de quem ficar em cima do muro
Aguardando o manjar cair do céu!
Eu sou varzeano, arregaço as mangas,
Começo de novo, dou rasteira no bicho-papão,
Dobro a esquina e, se preciso for,
Dou até nó em pingo d'água. Acredite!
E, faça-me um favor, caro varzeano,
Não fuja da raia, mulher ou homem,
Nunca entregue os pontos, não morra na praia,
Pois temos Vapor de sobra e vital energia,
Somos feijão, e que sejamos gato, lobo ou vovozinha,
Que sejamos até farinha do mesmo saco.
Afinal, já se deparou que somos nós
quem pagamos as nossas contas?
De uma coisa eu tenho certeza,
Nós temos um sonho nas mãos
e aprendemos desde cedo, com garra,
a não levar desaforo pra casa,
A não morrer na praia. Você sabia?
Sejamos patinho feio a virar cisne
Sejamos Calango ou lagartixa ao sol
ou qualquer outro bicho, de fato,
Pois a gente nasce pra ser o que se é.
Se não enfrentarmos a fera-vida, menino ou menina,
Qual seria a razão de você ter nascido;
Vai encarar ou vai ficar debaixo da saia,
A cochichar a vida alheia com o rabo a espichar,
Ou vai viver sentado em cima do próprio rabo,
Tomando conta de migalhas, pro resto da vida?
Pense nisso!
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