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SONHO ACORDADO














Autor: João Ludugero

O cheiro do mato desce
pelas tuas veredas
balança ao vento
as tuas verdes entranhas,
agita o coqueiral do rio Joca
que continua a irrigar tua paisagem.

O calor da tarde amena faz de mim
um varzeano pensativo
de impressões vivas, positivas.
Ainda há dias sonhei contigo, a dormir,
foi um sonho companheiro;
hoje, vejo-me acordado a sonhar.

Tive um sonho simples,
tendo as mãos livres para o inventário
da flor da pele, de quimeras
de escrever meu livro de memórias
e dos aromas da liberdade

de  renovadas esperanças,
de passear pelos teus campos agrestes
a decifrar teus segredos,
eu sei dos teus passos,
da tua alegria luminosa
que sempre me contaste.

Em tal sonho eu ficava assim
a olhar para ti, formosa e bela,
a ouvir-te ou a deixar falar o silêncio.
Ficava mudo e quieto, contemplativo,
apenas de mãos soltas à espreita
do doce sossego da tua presença,

oh, minha amada Várzea 
de Severino 'Silva' Florêncio!
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João Maria Ludugero

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