Família aguarda chegada de corpo para velório e enterro de Gil em Nova Cruz, RN

No VNT do GE RN - 30/11/2016
Gil Chapecoense (Foto: Cleberson Silva/Chapecoense)
Gil nasceu em Nova Cruz, mas foi registrado em Santo Antônio, no interior do RN (Foto: Cleberson Silva/Chapecoense)
"Eu jamais imaginei passar por uma dor como essa". A trágica notícia da morte do volante potiguar Gil deixou todos os moradores da cidade de Nova Cruz, a 93 Km de Natal, em estado de choque. O jogador, que nasceu na cidade, mas que foi registrado no município vizinho de Santo Antônio, também no interior do Rio Grande do Norte, é uma das vítimas do acidente com o avião que transportava a delegação da Chapecoense para Medellín, na Colômbia, local que seria realizado o primeiro jogo da decisão da Copa Sul-Americana, contra o Atlético Nacional. O irmão mais velho de Gil, o ex-jogador Geraldo Madureira, conversou por telefone com o GloboEsporte.com e narrou, com profunda tristeza, o momento em que recebeu a confirmação da morte do irmão caçula, ainda na manhã desta terça-feira.

- Está todo mundo em estado de choque. Muitas pessoas estão nos apoiando, falando com a gente, prestando alguma forma de ajuda. É uma questão muito dolorosa. Eu jamais imaginei passar por uma dor como essa. Meu pai está desolado em casa. Minha mãe precisou ser socorrida ao hospital da cidade. É uma pancada no coração da gente, que machuca demais - contou Geraldo.

Em um primeiro momento, chegou a ser divulgado de que os familiares viajariam a Medellín para a identificação dos corpos. No entanto, o secretário-geral da CBF, Walder Feldman, disse em entrevista coletiva na Arena Condá, em Chapecó, que a situação estava avançada e as identificações estavam sendo realizadas com a verificação dos passaportes dos jogadores e dos demais passageiros. Com isso, os corpos devem ser trazidos ao Brasil em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB). 

Em seguida, será feito um velório coletivo em Chapecó. Depois, o corpo de Gil será levado para Nova Cruz, para ser novamente velado. A chegada está prevista para o fim de sexta-feira até a manhã de sábado, para que seja feito o velório e o enterro do jogador. Desta vez, com a presença dos familiares, dos amigos e de toda a população do município potiguar. A prefeitura de Nova Cruz decretou luto oficial por três dias.

De acordo com Geraldo Madureira, a previsão para a chegada do corpo de Gil é entre sexta-feira e a manhã deste sábado. O velório será realizado no ginásio Giovanna de Azevedo Targino, em Nova Cruz e o enterro no cemitério público municipal. 

José Gildeixon Clemente de Paiva tinha 29 anos e estava há dois na Chapecoense, clube onde conquistou o Campeonato Catarinense deste ano e faria sua primeira decisão internacional na carreira. Gil era o terceiro irmão de cinco, que tinha Geraldo e Michele como os mais velhos e Gisele e Wescley como os caçulas do quinteto. O jogador deixa duas filhas - uma com cinco anos e outra com três - e a mulher, Valdécia, que também é do Rio Grande do Norte.

FUTURO INTERROMPIDO

Gil era um menino franzino, desconfiado, mas com um sonho de ser tornar jogador de futebol. Habilidoso, começou a dar os primeiros toques em uma escolinha no município de Nova Cruz, no interior do Rio Grande do Norte. O primeiro treinador foi Valdo Salú, ex-jogador, que tornou-se agente de Gil com o passar dos anos. A primeira "peneira" que participou foi aos 14 anos, onde mostrou que teria um futuro brilhante.

Entre os 15 e os 16 anos, Gil realizou testes para entrar nas categorias de base de três clubes: Sport, CSA e URT. Sem sucesso nas investidas, quase desistiu do sonho de calçar uma chuteira. Motivado pelo professor, foi levado para mais uma etapa eliminatória na carreira e, desta vez, firmou vínculo no Mogi Mirim. Aos 16 anos, foi destaque na Copa São Paulo de Futebol Júnior, em 2005, onde ficou por mais três anos.
Gil Chapecoense Copa Robinson Faria (Foto: Reprodução)
Gil disputou um campeonato amador em 2006 pela equipe do São Sebastião, em Nova Cruz (Foto: Reprodução)
Aos 19 anos, voltou a Nova Cruz e fez parte da equipe amadora da cidade potiguar em um campeonato com clubes do interior do Rio Grande do Norte. Em 2008, foi negociado por empréstimo ao Guaratinguetá, e, em seguida, para o Vitória. Nesse período, mudou de agente esportivo e perdeu contato com Valdo Salú.

- Nessa saída dele do Mogi (Mirim) para o Guaratinguetá, houve um contrato diferente e nós perdemos o contato. Mesmo assim, o acompanhei na carreira e vi a evolução técnica dele, que era um excelente volante - comentou ex-agente.

Do Guaratinguetá, passou ainda pelo Vitória e Santo André, mas não obteve o sucesso e o rendimento esperado. Em 2010, foi emprestado para a Ponte Preta, mas também não conseguiu demonstrar o futebol que o marcou no início da carreira.

Negociado com o Coritiba em 2011, Gil teve uma alavancada na carreira. Um ano depois, participou da campanha do título Paranaense. Esteve em campo com a camisa do Coxa em 107 jogos. Sem espaço na equipe, foi emprestado a Chapecoense e completou 96 partidas, com cinco gols. Valdo lamenta a perda do amigo, a quem chamava de "irmão".

- Era um cara muito simples, humilde, sempre na dele, nunca bebeu e nunca teve vício nenhum. Sempre teve uma boa personalidade. Depois das travadas no início da carreira, conseguiu uma alavancada impressionante. Perdemos um grande amigo, perdi um irmão e Nova Cruz perdeu um grande uma pessoa. A cidade está triste. O pessoal que gosta de futebol está sentindo muito. Os amigos estão inconsoláveis - concluiu Valdo.

Gil Chapecoense (Foto: Cleberson Silva/Chapecoense)
Gil estava no Chapecoense desde 2015 (Foto: Cleberson Silva/Chapecoense)
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