Senador Romário perde dez quilos com operação experimental e não indicada ao seu caso

No VNT da IstoÉ - 28/01/2017
Cirurgia polêmica
Famoso por se envolver em polêmicas ao longo da carreira como jogador, o senador Romário (PSB-RJ) entrou em mais uma ao aparecer dez quilos mais magro. A razão da súbita perda de peso foi uma cirurgia a qual ele se submeteu no final de 2016 – a mesma que fez o apresentador Faustão há oito anos. O cirurgião que realizou a operação, Áureo Ludovico, garante que a indicação e a legalidade do procedimento foram obedecidos, mas a comunidade médica diz que não é bem assim.

INDICAÇÃO PRECISA

Áureo diz ter criado a técnica que promove o reposicionamento do íleo (parte final do intestino), levando ao controle da diabetes tipo 2 e da obesidade. De fato, o método, em estudo em várias partes do mundo, mostra-se eficaz no combate à doença. Assim como ele, outras intervenções do gênero promovem mudanças hormonais que resultam no controle da enfermidade. “Os resultados são bons”, afirma Caetano Marchesini, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica.

Mas acaba aqui o consenso médico em relação à cirurgia que Romário fez. No Brasil, esse tipo de operação só pode ser indicado a pacientes com Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 40 ou com IMC igual ou maior que 35 e que apresentem 21 doenças associadas à obesidade, como a diabetes. O senador teria apresentado IMC 28. Áureo nega. “Ele tinha IMC 31 e manifestava uma diabetes descontrolada”, diz o médico.

Mesmo assim, o senador continua fora dos limites determinados pelo Conselho Federal de Medicina. Além disso, o órgão libera o uso de cinco técnicas cirúrgicas, e a de Áureo não está entre elas. “Portanto, é experimental”, diz o médico Márcio Mancini, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia”. Isso significa que só pode ser usada dentro de protocolos de estudo e sem cobrança do paciente.

Há uma batalha jurídica sobre a legalidade da execução da cirurgia fora das pesquisas. Áureo também está às voltas com a Justiça em dois processos, segundo ele. No entanto, o advogado Marcelo Rezende diz que 14 famílias estão processando o cirurgião. Sete pacientes teriam morrido.
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