Corpo da cantora e atriz Rogéria é velado no Rio de Janeiro

No VNT do G1 - 06 SET 2017
A atriz Rogéria (Foto: Reprodução/ TV Globo)
A atriz Rogéria (Foto: Reprodução/ TV Globo)
Foi velado nesta terça-feira (5), no Rio, o corpo da cantora e atriz Rogéria -  símbolo da luta contra o preconceito no Brasil. Ela morreu na segunda (4) à noite, aos 74 anos, por complicações de uma infecção urinária.

Alta, loura e dona de longos cabelos que eram jogados pra lá e pra cá incontáveis vezes. Marcas de uma artista performática e vaidosa. A exuberante senhora de 74 anos nasceu Astolfo Barroso Pinto.
Na adolescência, tinha fascínio por roupas, saltos, maquiagem, adereços.... Astolfo, então, foi ser maquiador de estrelas na extinta TV Rio.

“Eu maquiava Elis Regina, Marlene, Ângela Maria, Fernanda Montenegro, Bibi Ferreira. As minhas clientes eram essas atrizes maravilhosas, que me ensinavam muito”, contava Rogéria.

Em plena Ditadura, se arriscou. Virou vedete numa boate em Copacabana.

Mas foi em Paris que Rogéria passou a incorporar seu lado feminino ao cotidiano, 24 horas por dia, inspirada em Marilyn Monroe. Estava pronta para voar. E escolheu a arte como arma para vencer barreiras.

Astolfo era gay. Gostava de ser mulher, mas também se sentia bem como homem. Dizia ter a alma feminina, mas nunca rejeitou o corpo masculino. Por isso, nunca quis fazer a cirurgia de mudança de sexo. E não tinha dúvida: entre ser homem e ser mulher, o melhor mesmo era ser Rogéria. A estrela.
Rogéria fez sucesso no teatro, no cinema, na TV. Nos palcos, 12 espetáculos. Na grande tela, 13 filmes. Na Globo, atuou em seis novelas. Aguinaldo Silva criou Ninete, de “Tieta”, especialmente pra ela.

Rogéria foi uma das estrelas do documentário “Divinas Divas”, de Leandra Leal, com a primeira geração de travestis do Brasil.

Nesta terça-feira (5), no velório da artista no teatro João Caetano, no Centro do Rio, quanta emoção na despedida.

“Uma grande estrela, uma pessoa digna, que passou por essa Terra, deixando um trabalho tão bonito”, definiu a atriz e cantora Jane Di Castro.

“Ela sem nenhum discurso ideológico abriu as portas para muita gente, para toda uma geração”, disse Leandra Leal.

“Só rezar para ela chegar num lugar bem lindo que é onde ela merece estar por tudo que ela fez aqui pra gente”, comentou Glória Pires. 

O corpo de Rogéria será enterrado amanhã na cidade de Cantagalo, onde ela nasceu, no interior do Rio.
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