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ATRAVESSANDO A LINHA DO TEMPO

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ATRAVESSANDO A LINHA DO TEMPO

Autor: Ludugero, 02/02/2009.


Eu subia pela rua das pedras
Eu media o passo, o credo, a vida
Eu trilhava à risca a linha do tempo
Eu traçava 'pari passu' o rumo
das coisas não perdia o tino
nem o marco nem o clarão
nem o sol nem a lua
eu me aprumava com afinco na lida
não precisava de bússola
nem de norte.
Pela do rua do arame eu descia
pela rua nova eu me conduzia
pela rua grande
eu limpava a vista.
Eu atravessava a Brasiliano
Coelho de oliveira
pelas quatro bocas eu me atirava
pela rua Mateus Joca Chico eu 'boi-bumbava'
eu acendia minhas velas
no Cruzeiro, bendito altar do Santíssimo!
Eu acreditava noite a dentro, madrugava
renovava minhas preces, dia-após-dia
Eu já amanhecia de esperanças novas,
pelas ruas da minha velha infância
eu comungava: néctar, pólen e flores.
Eu estudava na escola Dom Joaquim de Almeida
eu lia e viajava pelo mundo todo sem corte
nas letras da Ângelo Bezerra, minha biblioteca
Eu curtia a vida tomando caldo de cana
no bar do Biga - há bares que vêm para o bem,
Mas quem não se lembra?
Eu esticava a alma
na rua do curtume
Eu dava nome aos bois
na rua da matança eu via 'seu Beja' e a choupa
Eu jogava bola no meu Varzeão, minha vargem
eu acordava cedo do sonho de sonhar...
meus segredos eram todos guardados no cofre
a sete chaves dentro
do meu coração de estudante
Eu embalava biscoitos na padaria de seu Nenê Tomaz
Eu jogava bilhar e sinuca no Salão São Luis
do Seu Lula Florêncio,
pai do Silva e Benício,
filhos de Dona Júlia.
Eu e
Num dia desse eu revi meu pé de graviola
plantado lá porta da minha casa, próximo ao batente
Eu revi minhas algarobeiras, no alpendre
no fundo do quintal de dona Maria de Franco
minhas acácias esvaídas de saudades minhas
Ah, foi cortado meu flamboyant, pobre coitado!
Minhas palmeiras de São Pedro ainda estão lá,
sempre vivas, altaneiras, verdejantes,
voltadas para o céu como a louvar
ao Supremo Pai de todas as coisas.
Eu vi a luz que as abelhas consomem
para te ver passar, minha rainha,
oh beleza, a inflamar meu coração,
carmim rosa morena,
meu doce encanto varzeano,
tu que és o nome desse incêndio!



VNT Online, editado em 09/02/2009
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Beto Bello

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