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NA HORA DO BANZO, por João Maria Ludugero


Da minha Várzea parti 
um dia já bem distante 
p’ra voltar, quando não sei 
parti, mas nunca de lá saí,
pois ela mora em meu peito
sinto uma saudade tremenda
dessa que castiga a gente.
Sou canário fora do chão,
galo longe da campina,
quem te viu, quem te vê
assim tão bem-te-vizinho solitário,
pintassilgo, pássaro engaiolado dentro
do alçapão da minha cabeça feita,
que não se contenta com o alpiste
que lhe trazem ali, à mão.
Estou moleque entristecido,
esquisito que só vendo,
na hora em que a cuca pega
solta os bichos num cri-cri de grilos,
longe da sua terra querida,
que se dana a pensar, em puro banzo,
fica de cá, só cubando com calor
a vida que o leva acolá, consentido,
doido de jogar pedra na lua, e como
só pra ver se enramar seus pés de jerimuns.
E, de tal sorte, destino ou sina
de se encontrar noutras searas,
afastado a tantas léguas
da sua Várzea amada,
do seu Vapor tão vital,
embora entretido noutra lida,
sente o coração ardente afoito a bater,
a crepitar nessa chama interior,
certo de que o amor não fica longe!
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João Maria Ludugero

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