Homem se passa por médico durante quatro dias em hospital de João Câmara, RN

No VNT do NOVO Jornal - 23/12/2016
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Durante quatro dias consecutivos a equipe médica do Hospital Regional Josefa Alves Godeiro, de João Câmara, deparou-se com um intruso que se passava por médico nos corredores da unidade da rede pública estadual. Da última sexta-feira (16) até a segunda-feira (19), o homem até aquele momento não identificado comparecia ao hospital vestido todo de branco. Frequentava a enfermaria, o pronto-socorro, até comia nas dependências do hospital. O problema é que ninguém do quadro de funcionários o conhecia.

Na noite da última segunda-feira, o mistério foi solucionado: tratava-se de um doente esquizofrênico que, devido à falta de segurança na unidade médica da cidade, conseguiu entrar nas dependências da unidade de saúde sem problemas. Um dos que tomaram a decisão de falar com o homem e descobrir sua identidade foi o médico Diego Torquato.

Depois de uma conversa com o desconhecido, o doutor descobriu que ele era era aposentado da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e tinha 62 anos. “Ele estava tendo um surto e acreditava que era realmente um médico”, conta Torquato.

Antônio – ele será identificado assim na matéria – chegou a dizer que estava a serviço da Prefeitura de João Câmara. Depois mudou a versão, dizendo que seria um contratado da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), versões checadas e desmentidas por Torquato e outros médicos da unidade. O invasor chegou a passar um número de registro no Conselho Regional de Medicina do RN (Cremern). “O registro médico tem no máximo quatro dígitos e ele deu um número bem maior. Aí a gente realmente constatou que era um falso médico”, relata Diego Torquato.

Após ser confrontado com as inverdades, o senhor de idade desistiu de sua fantasia. Pediu desculpas e deu seu telefone celular, que continha o contato de um irmão. Antônio é de Natal, sofre de esquizofrenia e inclusive esteve internado no Hospital Colônia Dr. João Machado, na capital, especializado no tratamento de pacientes com problemas psiquiátricos.

A polícia chegou a ser chamada, mas foi feito um acordo. Se o falso médico não fosse resgatado por algum familiar, ele seria levado pelos policiais, já que havia cometido um crime: passar-se por médico sem registro profissional. No dia seguinte, na terça-feira, um irmão do idoso foi buscá-lo e assinou um termo de compromisso, responsabilizando-se pelo doente psiquiátrico. Os dois voltaram para Natal.

Em nenhum momento o homem apresentou comportamento agressivo no período em que esteve no hospital, diz Diego Torquato. Durante basicamente todo o fim de semana, Antônio ficou praticamente sozinho na enfermaria, já que os médicos plantonistas do período estavam ocupados. Entretanto, ele não parece ter mexido em prontuários de pacientes e não atendeu ninguém.

Em contato com o NOVO, alguns funcionários reclamaram da falta de segurança no local. Um clínico que preferiu não se identificar afirmou que a administração da unidade, em vez de chamar a polícia, contatar a Sesap ou o Cremern para pedir auxílio, pediu para que os próprios funcionários vigiassem o intruso até que ele fosse embora. “É um absurdo termos que vigiar alguém desconhecido enquanto estamos no nosso local de trabalho”, reclamou o médico por telefone.

Ele disse que o hospital está sem segurança há cerca de quatro meses e que, atualmente, quem quiser entra na unidade sem precisar se identificar.

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