Para MPF, Henrique Alves manteve influência no governo após deixar ministério

No VNT do G1 RN - 21/06/2017
MPF acredita que Henrique Eduardo Alves manteve influência no governo mesmo após saída (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)
MPF acredita que Henrique Eduardo Alves manteve influência no governo mesmo após saída (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)
Os investigações da operação Manus revelam que o ex-ministro Henrique Eduardo Alves (PMDB) manteve influência no governo federal mesmo após deixar o ministério do Turismo, em junho de 2016. A informação foi repassada pelo procurador federal Rodrigo Telles que assina denúncia apresentada pelo MPF contra Henrique Alves e Eduardo Cunha por prática continuada dos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo o MPF, juntos eles receberam R$ 11,5 milhões de propina de 2012 a 2014.

Para o MPF, mesmo investigado, Henrique continuou tendo trânsito livre, marcando reuniões, indicando pessoas e influenciando em ministérios.

"Foi apreendido celular de Henrique Alves e foram encontradas diversas mensagens já de 2017 com indícios de prática de tráfico de influência em diversos ministérios. O ex-ministro pediu exoneração do cargo, mas não deixou de ter influência no governo federal", disse o procurador Rodrigo Telles de Souza.

Para exemplificar a influência exercida por Henrique Alves, os procuradores dizem que mensagens capturadas no celular do ex-ministro comprovam que ele indicou a nomeação de Henrique Pires como secretário nacional de Estruturação do Turismo. O cargo é responsável por liberação de recursos do governo federal para estados e municípios. "Em uma das mensagens ele disse que o indicado 'é um dos nossos'", disse Rodrigo Telles.

Henrique também exerceu influência para acelerar a transferência de uma servidora do Ministério do Meio Ambiente para o Rio Grande do Norte. Ainda de acordo com os investigadores, Alves também exerceu influência nos Ministérios da Educação e dos Transportes.

"Desde que pediu exoneração, justamente por ser investigado, ele fez viagens semanais a Brasília. Indica que ele continuava a desenvolver suas atividades criminosas. Isso reforça a necessidade da prisão do ex-deputados. Está patente que as atividades eram intensas", disse o procurador Fernando Rocha de Andrade.

Os dois ex-deputados – que estão presos – são acusados pelos procuradores da República de terem recebido propinas disfarçadas de doações eleitorais, oficiais e não oficiais, entre 2012 e 2014. Em troca do suborno, afirma o MPF, eles teriam atuado para favorecer empreiteiras como OAS e Odebrecht nas obras da Arena das Dunas, em Natal, uma das sedes da Copa do Mundo de 2014.

As defesas dos dois ex-deputados do PMDB afirmaram ao G1 que não iam comentar a denúncia porque ainda não tiveram acesso à peça judicial.

Além dos dois peemedebistas, o MPF também denunciou, no mesmo processo, o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, o ex-dirigente da Odebrecht Fernando Reis e mais duas pessoas supostamente ligadas a Henrique Alves, que foi ministro do Turismo nos governos Dilma Rousseff e Michel Temer.
Os outros dois denunciados pelo MPF no processo da Manus são Carlos Frederico Queiroz Batista da Silva, aliado político de Henrique Alves, e o publicitário Arturo Silveira Dias de Arruda Câmara, cunhado do ex-ministro do Turismo.

Os seis foram investigados pela Operação Manus, um desdobramento da Lava Jato. A denúncia, de 89 páginas, pede que os acusados sejam, ao final da ação, condenados ao pagamento de R$ 15,5 milhões por danos materiais e morais para ressarcir os crimes que cometeram.

Para virar ação penal, a denúncia precisa ser recebida pela Justiça Federal do Rio Grande do Norte. Não há previsão de quando o juiz responsável pelo caso irá analisar a acusação do MPF.

Repasses por conta de campanha de Temer
No pedido de prisão feito ainda na deflagração da operação Manus o MPF relatou que a empreiteira OAS pagou R$ 500 mil de propina a Henrique Alves, em 2014, através da conta do então candidato a vice-presidente Michel Temer. No entanto, para o MPF, o dinheiro, apesar de ser de origem ilícita, passou pela conta de campanha do presidente como doação, o que não comprova participação do presidente nas negociação e distribuição de propina.

"No caso não tem indício de envolvimento criminoso do presidente. A conta de campanha serviu de mera passagem. Nas investigações não se detectou nenhum elemento que aponte no sentido de alguma conduta criminosa por parte do presidente Michel Temer”, explicou o procurador Rodrigo Telles.

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