Polícia retira cartazes em que facção dá ordens a moradores de Mãe Luíza, em Natal

No VNT do G1 RN - 24/07/2017
Policiais militares arrancaram cartazes assinados por facção (Foto: Tom Guedes/Inter TV Cabugi)
Policiais militares arrancaram cartazes assinados por facção (Foto: Tom Guedes/Inter TV Cabugi)
A Polícia Civil vai investigar a autoria dos cartazes supostamente assinados por uma facção criminosa espalhados no bairro de Mãe Luíza, na Zona Leste de Natal, bem como nas cidades de Caicó e Santa Cruz, no interior. A informação foi confirmada pelo delegado-geral, Correia Júnior, que falou com a reportagem do G1. Na manhã desta segunda-feira (24), a Polícia Militar subiu o morro e arrancou os cartazes. Os policiais gravaram um vídeo durante a ação, em que dizem que quem manda no bairro é a PM.

O bairro de Mãe Luíza foi o primeiro em que o Governo do Estado implementou o Ronda Cidadã, um programa que visa a aproximar a polícia da comunidade e garantir a segurança local. A escolha se deu porque a localidade é vista como violenta e tem altos índices de registro de tráfico de drogas.

“Será investigado para saber o que aconteceu. Muitas vezes as pessoas se aproveitam das situações, então a Polícia Civil vai apurar para saber a origem desses cartazes”, acrescenta o delegado Correia Júnior. Apesar de não reconhecer a veracidade e a autoria dos comunicados, a cúpula da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Sesed) se reuniu na tarde desta segunda-feira (24) para planejar ações policiais em todo o estado do Rio Grande do Norte.

Desde a semana passada começaram a circular nas redes sociais fotografias de cartazes fixados no bairro de Mãe Luíza, em Natal, e também nas cidades de Caicó e Santa Cruz. Os comunicados pregados em postes afrontavam o aparato de segurança do Estado, quando informavam que uma facção que atua no RN teria tomado o controle de cada localidade.
Dentre as "ordens" do denominado Sindicato do Crime presentes nos cartazes, estão a de não chamar a polícia ao ver pessoas armadas na rua, não usar drogas na frente de crianças e "não cobiçar a mulher do próximo".

Os informes diziam ainda que os criminosos garantiriam segurança às comunidades, desde que a polícia não fosse acionada pelos moradores. Eles pedem também contribuições financeiras mensais para realização de festas no bairro.

O tenente-coronel Zacarias Mendonça, comandante do Policiamento Metropolitano de Natal, confirmou que no decorrer da semana haverá operações diárias em Mãe Luíza, como blitz e abordagens a pedestres. As ações devem ser semelhantes às que aconteceram nesta segunda (24). Segundo o coronel Mendonça, a Sesed também está definindo um planejamento para incursões no interior do RN.
Cartazes foram colados em postes do bairro de Mãe Luíza (Foto: Divulgação/PM)
Cartazes foram colados em postes do bairro de Mãe Luíza (Foto: Divulgação/PM)
Facções
No início deste ano, o governo do Rio Grande do Norte reconheceu a atuação de facções criminosas dentro e fora das unidades prisionais do estado, em um ofício encaminhado à Procuradoria Geral da República. No documento - enviado como respostas a questionamentos do procurador-geral, Rodrigo Janot, - o Governo apresenta o histórico de formação das duas facções que disputam poder e que promovem rebeliões e mortes no Sistema Penitenciário.

De acordo com o ofício enviado à PGR, o governo explica que o Primeiro Comando da Capital (PCC), facção de origem paulista, instalou-se na penitenciária de Alcaçuz a partir de 2009, após alguns presos daquela unidade terem sido transferidos para Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná. Lá, esses apenados locais tiveram contato com apenados do Mato Grosso do Sul que eram integrantes da referida facção.

A outra facção com atuação no estado é Sindicato do Crime do RN (SCRN). Ela surgiu a partir de 2012, quando alguns apenados resolveram deixar o PCC por causa de disputas internas pelo controle do tráfico de drogas dos presos. A facção se estabeleceu de forma definitiva a partir de 2015, quando promoveram uma série de motins em quase todas as unidades prisionais do Estado, bem como assassinatos de presos ligados ao PCC.
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