Morre, aos 53 anos, a atriz Márcia Cabrita, após luta contra câncer

No VNT do EXTRA - 10 NOV 2017
A atriz Marcia Cabrita Foto: Cristina Granato
Morreu, na madrugada desta sexta-feira, aos 53 anos, a atriz carioca Márcia Cabrita. Ela lutava contra um câncer no ovário diagnosticado em 2010. Segundo o ex-marido, Pedro Parente, que também é pai da filha da comediante, Márcia estava internada há dez dias no hospital Quinta D'Or, na Quinta da Boa Vista, Zona Norte do Rio.

A internação aconteceu devido ao agravamento da doença. Pedro Parente disse que Márcia "foi em paz" e sem sofrer.

A atriz, que ficou famosa ao integrar o humorístico "Sai de Baixo", da TV Globo, se afastou da novela "Novo Mundo" há três meses, para cuidar da sua saúde. Mais tarde, foi anunciado que a comediante teria outro papel a partir do capítulo 60, o que não ocorreu. A novela terminou em setembro. Márcia também começaria a gravar um filme baseado na série "Sai de baixo", em São Paulo.

A atriz e também humorista Cacau Protasio foi a primeira artista a homenagear Márcia nas redes sociais. Ela publicou no Instagram uma foto ao lado da amiga e colega de trabalho, com um texto emocionado.

"Amiga Vai com Deus, eu tive o prazer, à alegria, a sorte de trabalhar, conviver, contracenar com você, eu amo você, o céu está em festa, pois está recebendo o anjo mais lindo, você fará muita falta, nos encontramos no céu", escreveu Cacau, com uma foto bem-humorada com a amiga.

A luta contra o câncer não Márcia de trabalhar. No ano seguinte ao diagnóstico, ela atuou na novela "Morde & assopra", também da Globo. Em anos recentes, a atriz participou de humorísticos do canal Multishow, como "Vai que cola" e "Treme, treme".

Filha de imigrantes portugueses, Márcia Martins Alves nasceu em Niterói, no estado do Rio, em 20 de janeiro de 1964. Ao estudar artes cênicas, conheceu Luís Salem, seu parceiro durante toda a carreira. Com ele, fez uma peça infantil produzida por Aloísio Abreu, outro com quem sempre trabalhou.

Juntos, os três montaram o espetáculo "Subversões", encenado no antigo Crepúsculo de Cubatão, em Copacabana. Na trilha sonora, paródias de hits como "Meu nome é Creuza", versão de "Como uma deusa", de Rosana, que acabou fazendo sucesso.

Sua primeira aparição da TV foi em 1992, na minissérie "As noivas de Copacabana", de Dias Gomes. Fez ainda "Sete pecados" (2007), "Beleza pura" (2008) e "Morde & assopra" (2011).

Irreverente, a atriz publicava posts irreverentes em suas redes sociais. Em 2015, escreveu: “Cada vez que um famosão da TV diz que ‘o bichinho do teatro me mordeu’, nasce uma espinha interna no nariz de algum diretor de teatro mundo afora.”

Em texto como colunista convidada para Revista O Globo, publicado em 2011 - época em que alimentava o blog "Força na peruca", sobre sua relação com o câncer, Márcia criticou a cobrança sofrida por pessoas com a doença. "Ao contrário do que muitos fantasiam, não tirei de letra. Não sei o porquê, mas existe uma ideia estapafúrdia de que quem está com câncer tem que, pelo menos, parecer herói. Nãnãninã não! Quem recebe uma notícia dessas não consegue ter pensamentos belos. Bem... eu não conseguia. A cobrança de positividade acabou se tornando um problema. Me olhava no espelho branca, magrela e de cabelos curtinhos (antes de caírem) e me achava pronta para fazer figuração na Lista de Shindler".

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