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JORNAL NACIONAL | PF encontra dinheiro vivo em caixas de isopor em operação contra desvios da saúde no RN

 Do G1/Jornal Nacional  - 27 JAN 2026 


A Polícia Federal fez uma operação para investigar o desvio de dinheiro da saúde em prefeituras do Rio Grande do Norte.


Na casa de Oseas Monthalggan, um dos sócios da empresa Dismed, a polícia encontrou R$ 55 mil escondidos em uma caixa de isopor. No total, a operação apreendeu R$ 251 mil. Em Mossoró, segunda maior cidade do estado, um dos alvos foi o prefeito Allyson Bezerra, do União Brasil. Os policiais foram até a casa dele e apreenderam um celular, um computador e dois HDs.


A investigação começou depois que a Controladoria-Geral da União encontrou indícios de irregularidades, como o pagamento por materiais que nunca foram entregues, a compra de produtos por valores acima da média de mercado, em quantidades maiores que o necessário e próximos do fim do prazo de validade.


Com autorização da Justiça, os investigadores gravaram conversas dos sócios da Dismed. Em um dos diálogos, os empresários citam o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, e descrevem o que chamam de “a matemática de Mossoró”. Segundo os sócios, ao fim das negociações, dos R$ 400 mil de uma ordem de compra, apenas R$ 140 mil iam efetivamente para a compra de produtos:


R$ 130 mil seriam tratados como comissão para os sócios da empresa;

R$ 30 mil para a Dismed;

R$ 40 mil ficariam com uma mulher ainda não identificada;

e R$ 60 mil ficariam com o prefeito Allyson Bezerra.


A defesa de Allyson Bezerra disse que não há nada que o vincule pessoalmente ao caso, e que ele não sofreu medidas restritivas e continua no cargo. Em um vídeo postado nas redes sociais, o prefeito negou as acusações e disse que aumentou a transparência da prefeitura durante a gestão.


Além de Mossoró, a polícia investiga as prefeituras de Serra do Mel, Tibau, Paraú, São Miguel e José da Penha. Em Serra do Mel, foram entregues mil comprimidos de um remédio usado para pressão alta e arritmia cardíaca apenas um dia antes do fim do prazo de validade. O lote todo teve que ser descartado.


As prefeituras de José da Penha e de Paraú afirmaram que as compras são legais. A Prefeitura de Serra do Mel declarou que está colaborando com as investigações. A Prefeitura de São Miguel disse que os contratos são da gestão anterior.


O Jornal Nacional não conseguiu contato com Oseas Monthalggan e com a Dismed.

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