Preso por tráfico no RN, paulista escreve livros na prisão

No VNT do G1 RN - 06/09/2016
Nilton digitaliza páginas manuscritas; notebook foi presente de juiz (Foto: Reprodução/ Inter TV Cabugi)
Nilton digitaliza páginas manuscritas; notebook foi presente de juiz (Foto: Reprodução/ Inter TV Cabugi)
"Eu conheci um rapaz, um amigo meu, e esse cunhado dele era um traficante de drogas, mas eu não sabia. E com um determinado tempo ele me ofereceu um valor muito alto. Eu não aceitei. Até porque eu sempre trabalhei, sempre estudei e a proposta dele para mim não significava nada. Só que o valor era muito alto e ficou contando na minha cabeça até ele fazer a segunda proposta, com um valor maior, onde eu aceitei fazer a minha primeira viagem como transportador de drogas". Aos 41 anos, o paulista Newton Albuquerque relembra como entrou no mundo do crime. Preso enquanto transportava drogas de São Paulo para o Rio Grande do Norte, o publicitário foi condenado a 20 anos de prisão por tráfico de drogas. Cumprindo pena na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, maior presídio do estado, Newton já escreveu quatro livros enquanto esteve preso e já trabalha em uma nova obra.


O publicitário foi preso em outubro de 2008, em Jenipabu, no litoral Norte do RN. Segundo as contas do próprio publicitário, era a quinta viagem que ele fazia transportando drogas. Na oportunidade, foram apreendidos 200 Kg de crack e 100 Kg de cocaína, a maior apreensão no estado até então.

"Quando eu entrei naquela viatura eu fiz: 'o que é que eu fiz da minha vida'. É impressionante como em segundos eu fiz o filme da minha vida todinho. Eu tinha 32 anos, sempre tinha estudado, sempre tinha trabalhado, sempre tive educação dos meus pais, amor dos meus amigos e, de repente, eu me vi naquela situação pela primeira vez algemado, dentro de uma viatura, chamado de marginal. Eu sabia que eu tinha feito uma escolha errada, mas não sabia que seria daquele jeito", disse.

Depois de ser levado até um Centro de Detenção Provisória, Nilton foi julgado e condenado a 20 anos de prisão. Foi o tempo vago no presídio que fez com que ele começasse a escrever sobre as escolhas que fez da vida. Há oito anos na prisão, Newton já está no quinto livro. Além da autobiografia, escreveu os títulos 'O pequeno gênio', 'Anjos do parque' e 'Playboys do crime'. Atualmente ainda trabalha no livro 'Quatro estações'.

Os livros são escritos a mão. Durante um período determinado por dia, Newton é acompanhado por um agente penitenciário até uma sala, onde digita as páginas manuscritas. De acordo com Jucélio Barbosa, vice-diretor de Alcaçuz, o notebook foi presente de um juiz e não tem acesso à internet.
"Eu fiz uma escolha errada na hora de trazer a droga. Mas uma pessoa simples pode fazer a escolha errada na compra de uma roupa, um tênis, até em um relacionamento. Todos nós, seres humanos, vamos fazer uma escolha errada. Eu fiz a minha, então eu quero contar a minha escolha errada nesse livro e servir de exemplo que o crime não compensa", concluiu.
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